Yasser Arafat foi o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e presidente da Autoridade Nacional Palestina, sendo uma figura central na luta palestina pela criação de um Estado independente.
Ele defendia a autodeterminação do povo palestino. Para isso, ele percorreu dois caminhos:
Yasser Arafat desempenhou um papel chave nos Acordos de Oslo de 1993, que visavam estabelecer a paz entre Israel e Palestina, e foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 1994, junto com Yitzhak Rabin e Shimon Peres.
A premiação fez com que ele fosse conhecido como um ativista da paz na região, mas para Mosab Hassan Youssef, filho de um dos fundadores do Hamas, Arafat era um terrorista.
“Eu o conheci pessoalmente. Estive em seu escritório várias vezes. [...] Em segredo, ele dava permissão e bênção ao Hamas para realizar ataques com homens-bomba. Isso era pauta das reuniões que eu presenciei.Juro que essa informação é verdadeira”, disse Mosab Hassan Yousef em entrevista a Brasil Paralelo no filme From the River to the Sea - A Guerra em Israel.
Conheça agora a vida de Yasser Arafat e as diferentes visões sobre seu governo.
Yasser Arafat, nascido em 24 de agosto de 1929, no Cairo, com o nome de Mohammed Abdel-Raouf Arafat al-Qudwa, cresceu em meio à turbulência política da região e logo se envolveu na causa nacionalista árabe.
Durante a juventude, Arafat estudou engenharia no Cairo e foi aí que começou a se aproximar da militância pela Palestina, uma terra disputada após a criação do Estado de Israel em 1948, como mostra o livro Yasir Arafat : a political biography, de Barry M. Rubin.
Nos anos 1950, já profundamente comprometido com a questão palestina, Arafat ajudou a fundar o Fatah, uma organização dedicada à libertação da Palestina por meio da luta armada.
A partir dos anos 1960, ele ganhou notoriedade quando a Fatah começou a realizar ataques contra alvos israelenses. Em 1969, Arafat assumiu a liderança da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), um grupo que se tornou o representante oficial dos palestinos no exílio.
Sob seu comando, a OLP adotou tanto táticas militares quanto diplomáticas para buscar a criação de um Estado Palestino.
"Arafat se mostrou o maior inimigo do processo [de paz no Oriente Médio]", afirmou o major-general aposentado, Uzi Dayan, em entrevista a Brasil Paralelo no filme From the River to the Sea - A Guerra em Israel.
A década de 1970 foi marcada por ações violentas associadas à OLP, muitas das quais levaram ao aumento das acusações de terrorismo contra Arafat.
Entre os atentados terroristas mais violentos e notórios cometidos pela OLP durante o governo de Arafat, estão:
Grupos associados à OLP, como a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), realizaram uma série de sequestros de aviões com o objetivo de chamar a atenção internacional para a causa palestina e pressionar por concessões políticas.
Um dos incidentes mais notórios ocorreu em 1970, quando quatro aviões foram sequestrados e levados para a Jordânia, no episódio conhecido como o Sequestro Dawson's Field. Os passageiros foram usados como reféns em troca de prisioneiros palestinos. A OLP, sob a liderança de Arafat, era vista como responsável por esse tipo de operação, embora ele negasse envolvimento direto.
Durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 5 de setembro de 1972, oito membros do grupo Setembro Negro, uma facção ligada à OLP, invadiram a Vila Olímpica e sequestraram 11 atletas israelenses.
O grupo exigiu a libertação de prisioneiros palestinos detidos em Israel, mas as negociações fracassaram e todos os reféns foram mortos durante uma tentativa de resgate desastrosa.
Embora Arafat negasse ter ordenado a ação, a ligação entre o Setembro Negro e a OLP era comprovada, o que levou muitos a atribuírem a responsabilidade a ele indiretamente.
Este episódio marcou um ponto decisivo na percepção internacional sobre Arafat, consolidando as acusações de que ele liderava um movimento terrorista.
No final da década de 80, a violência aumenta após membros da OLP fundarem um dos grupos terroristas mais violentos do mundo: o Hamas.
Segundo Mosab Hassan Youssef, filho de um dos fundadores do Hamas, Yasser Arafat era amigo do Hamas, participando de reuniões para permitir e organizar atentados terroristas.
Nos anos 1980, Arafat começou a mudar sua abordagem. Em 1988, em um movimento significativo, ele reconheceu oficialmente o direito de Israel existir, algo que marcou um ponto de virada em sua postura política.
Este reconhecimento abriu portas para negociações, e em 1993, Arafat foi um dos signatários dos Acordos de Oslo, um marco na tentativa de encontrar uma solução pacífica para o conflito entre israelenses e palestinos.
Acordos históricos foram firmados com o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o ministro Shimon Peres, o que levou à criação da Autoridade Nacional Palestina, uma estrutura governamental provisória para a administração de partes da Cisjordânia e Gaza.
Em reconhecimento ao esforço de paz, Arafat, Rabin e Peres receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1994.
No entanto, a paz plena não foi alcançada, e as tensões entre Israel e Palestina continuaram a crescer.
Arafat tornou-se o primeiro presidente da Autoridade Nacional Palestina, mas enfrentou dificuldades para conter a violência e consolidar o governo palestino. Em 2000, uma revolta popular conhecida como Segunda Intifada reacendeu a guerra na região.
Arafat foi acusado pelo governo israelense de incitar e financiar os grupos palestinos que estavam conduzindo ataques contra civis israelenses, incluindo atentados suicidas. Israel argumentava que ele não estava fazendo o suficiente para conter a violência e, em muitos casos, estaria apoiando-a.
Em 2002, durante a operação militar israelense conhecida como Operação Escudo Defensivo, o exército de Israel invadiu cidades palestinas na Cisjordânia em resposta aos ataques da Intifada.
Arafat foi cercado pelas forças israelenses em sua sede em Ramallah, na Cisjordânia, no complexo da Muqata'a, que foi parcialmente destruído durante os combates.
Arafat ficou confinado ao complexo, isolado pela presença militar israelense.
Nos anos seguintes, a saúde de Arafat começou a declinar, e ele passou seus últimos anos no confinamento de Ramallah, cercado pelo exército israelense, que o acusava de fomentar a violência.
Arafat morreu em 11 de novembro de 2004, em um hospital militar na França, sob circunstâncias que até hoje geram teorias de conspiração.
Seu legado permanece uma questão de debate. Para muitos palestinos, Arafat é o líder que personificou a luta por autodeterminação, enquanto para muitos israelenses e outros críticos, ele foi uma figura que promoveu o uso da violência como parte de sua estratégia política.
Yasser Arafat, embora tenha sido uma figura pública extremamente dedicada à causa palestina, teve uma vida pessoal relativamente discreta, especialmente no que diz respeito à sua família e crenças religiosas.
Arafat casou-se em 1990 com Suha Tawil, uma palestina cristã de uma família influente, 34 anos mais jovem que ele. Eles tiveram uma filha chamada Zahwa Arafat, nascida em 1995. Zahwa foi nomeada em homenagem à mãe de Arafat.
O relacionamento de Arafat com sua esposa e filha, porém, era distante devido à sua intensa vida política e ao tempo que ele passava confinado em suas obrigações como líder palestino.
Arafat era muçulmano sunita, a corrente predominante do Islã entre os palestinos. Sua religiosidade raramente foi o foco de sua vida pública.
Ele preferia manter um perfil mais nacionalista, focado na libertação da Palestina e na construção de um Estado palestino, em vez de se alinhar a religiosidade. Ele trabalhou com grupos de diferentes orientações religiosas, incluindo xiitas e cristãos, em prol do que chamava de causa palestina.
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