Na quarta-feira, 2 de abril de 2025, Donald Trump anunciou tarifas que mudam o comércio global.
O Brasil recebeu uma alíquota de 10%, menor que os 34% da China, mas foi prejudicado ou beneficiado? Alguns economistas apresentam a ideia de que com estratégia e negociação o Brasil pode tirar pontos positivos no longo prazo.
O economista Leonardo Siqueira afirmou que as tarifas de importação anunciadas por Trump têm impacto direto no Brasil, e não necessariamente ruim.
O tarifaço de Trump taxa produtos importados pelos EUA. Isso atinge o Brasil, que vende petróleo, café, aço e aviões para os americanos.
Em 2024, óleos brutos de petróleo foram 14,3% das exportações brasileiras aos EUA, com 12,9% desse total indo para o mercado americano.
Produtos semiacabados de ferro ou aço (8,8%) e aeronaves (6,7%) também dependem dos EUA, com 76,2% e 61,7% de suas exportações direcionadas para lá, respectivamente.
Confira tabela:
O economista Paulo Gala afirma que a empresa de aviões brasileira Embraer deve ser uma das companhias mais atingidas.
“Talvez Embraer seja a empresa mais impactada. A nossa dependência em relação aos EUA não é muito alta. Para além dos efeitos diretos em algumas empresas brasileiras, não deve ter um efeito tão dramático”.
De acordo com Renata Barreto se não houver negociação os resultados não serão bons.
“Se for implementado como política econômica e não houver negociação, as consequências podem ser muito graves”.
Leonardo Siqueira avalia que as tarifas de importação acabam prejudicando os consumidores:
“Mais importante: tarifas de importação são sempre ruins. Elas representam o governo decidindo o que você pode ou não pode comprar, e de quem. É uma maneira de taxar a concorrência para proteger a ineficiência. Isso premia grupos organizados às custas do consumidor”.
Por outro lado, há oportunidades.
Se a China retaliar Trump cortando compras dos EUA, o Brasil pode exportar mais para o mercado asiático.
Siqueira afirma que o ocorrido abre novas oportunidades para o Brasil.
“Quando os EUA sobretaxam países como a China ou o México, alguns produtos dessas nações perdem espaço no mercado americano. Isso abre uma janela de oportunidade para que o Brasil exporte mais”.
O economista Ricardo Amorim publicou um vídeo em sua conta do Instagram no qual analisa a decisão de Donald Trump como uma oportunidade para o Brasil.
Segundo ele, os países afetados pelas tarifas impostas por Trump podem se unir economicamente, fazendo com que o presidente americano reconsidere sua decisão:
“O que é relevante aqui é que temos uma oportunidade de nos unir a outros países e dizer: vamos abrir os negócios entre nós. E se o Trump quiser excluir todo mundo, a solução é que todos excluam Trump e os Estados Unidos. Com o passar dos dias, caso isso aconteça, ele voltará atrás”.
O economista também afirma que, com a iminente queda das exportações americanas, o mercado brasileiro pode crescer:
“Com os Estados Unidos exportando menos, surge a oportunidade para que o Brasil exporte mais. Por isso, nosso país terá uma grande chance de aumentar significativamente nossas exportações para a China e para a União Europeia”.
Alguns analistas acreditam que o Brasil pode alcançar resultados positivos em um longo prazo.
Segundo a economista Renata Barreto, sócia da Faz Capital, “o Brasil tem potencial para explorar isso e conseguir absorver parte da demanda, além de um benefício pontual na queda do dólar em relação ao Real com o diferencial de juros e as tarifas mais brandas.
Como política econômica, a aplicação de tarifas é horrível, mas se servir como poder de barganha para forçar livre comércio de fato e/ou a troca dos bonds atuais por de longa duração e menor juros, pode ser bom a longo prazo”.
Por fim, Leonardo Siqueira comentou que o ideal para o Brasil não é seguir o mesmo caminho, que só poderá levar o país à pobreza.
“Agora, se o Brasil imitar esse modelo e começar a proteger os amigos do rei com tarifas, ficaremos ainda mais pobres. A solução para o Brasil não é copiar tarifas; é cortar privilégios, reduzir impostos, desburocratizar e permitir que os brasileiros compitam em igualdade de condições”.
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