Trump cancelou a proteção temporária para venezuelanos, que prorrogava vistos expirados ao lhes conceder o status de Proteção Temporária (TP) por 18 meses. A medida foi assinada pelo ex-secretário de segurança interna, Alejandro Mayorkas no dia 10 de janeiro de 2025.
A notícia foi anunciada ontem (29) no programa FOX and Friends pela nova chefe da pasta, Kristi Noem. Em suas palavras, o benefício poderia beneficiar criminosos que estão usando a proteção temporária para permanecer nos EUA, comprometendo a segurança local.
Segundo Noem, membros da facção venezuelana Tren de Aragua (TDA) podem estar entre essas pessoas.
A gangue é responsável por tráfico de drogas internacional e surgiu dentro de presídios, nos mesmos moldes das brasileiras PCC e Comando Vermelho.
"O departamento irá avaliar todos os indivíduos presentes em nosso país, incluindo os venezuelanos, alguns dos quais podem ser membros do TDA"
O programa foi criado em 1990 e impede a deportação de cidadãos de países afetados por guerras ou desastres naturais. Concede ainda permissões de trabalho a essas pessoas, beneficiando atualmente 17 milhões de pessoas, segundo a NPR News.
Noem afirmou que com a nova regra o programa “voltará a ser usado corretamente”.
“O povo deste país quer esses canalhas fora”, disse, referindo-se aos os membros da TDA.
Democratas acusaram a administração Trump de deixar pessoas vulneráveis. Em entrevista à NPR News, o deputado democrata do Texas Joaquín Castro disse:
“Como uma nação que se considera um farol de luz, esperança e refúgio para pessoas que estão fugindo de líderes perigosos, isso realmente é uma traição aos nossos valores".
Castro refere-se à forma como os EUA foram construídos enquanto Nação, sendo majoritariamente uma terra de imigrantes.
O vice-prefeito de Porto Alegre e advogado Ricardo Gomes explicou no programa Magna Carta que entre 1815 e 1860 dezenas de milhões chegaram à costa americana 5 milhões de imigrantes em busca de uma vida melhor.
“Essas pessoas estavam fugindo da fome na Europa”.
Ressalta como essas pessoas ajudaram os EUA a serem o que são. Entretanto, defende que a situação mudou com o passar do tempo. Define a atual situação migratória nos EUA como de “caráter econômico”.
“Imigrantes que chegam pela América Latina, principalmente através do México, representam um custo para os pagadores de impostos devido aos subsídios. Não se trata apenas dos empregos, mas também do custo para os americanos em termos de habitação, vouchers e serviços públicos".
Ricardo Gomes refere-se a alguns programas pagos com dinheiro público que beneficiam imigrantes. Algumas pessoas recebem até US$2.000 por mês, conforme relatado pelo coronel aposentado do Exército Douglas Macgregor a Tucker Carlson em entrevista de 21 de agosto de 2023.
Na ocasião, Macgregor disse:
“Nós damos a cada pessoa que consegue asilo político US$2.200 por mês. Em contrapartida, alguém que pagou impostos por toda a vida se aposenta recebendo US$1.400,00. Isso não é justo, uma vez que alguns desses imigrantes nunca pagaram tributos”.
O militar alega que alguns dos beneficiários entraram no país de forma ilegal.
No entanto, a diretora associada do Programa de Política de Imigração dos EUA no Migration Policy Institute, Julia Gelat, afirma que raramente ilegais recebem esse dinheiro.
Em entrevista à AP News, também em 2023, Gelatt afirmou que essas pessoas só recebem insumos pagos com dinheiro público em casos de emergência:
“Eles geralmente só conseguem acessar ajuda emergencial, como abrigo e comida durante um furacão ou outra emergência, ou atendimento médico de urgência”.
Ricardo Gomes aponta que o alto custo do governo com os imigrantes pode explicar a revolta de muitos com sua presença. No entanto, defende que a questão deve ser enfrentada de uma forma profunda.
“Este é um tema que não pode ser tratado como mera xenofobia e nacionalismo. O mero arremessar de rótulos não vai resolver o tema da imigração”, pontua.
Democratas como Joaquín Castro veem o cancelamento da proteção temporária para venezuelanos como uma “traição aos valores” dos EUA.
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