Nesta quinta-feira ( 22 de agosto) as redes sociais testemunham um dos embates mais consistentes da disputa ao cargo de prefeito da maior cidade do Brasil. Nas redes sociais, o candidato Pablo Marçal (PRTB) protagonizou um embate público com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem aparenta buscar apoio.
O bate-boca ocorreu no perfil de Bolsonaro no Instagram. Em uma publicação, o ex-presidente divulgava alegadas realizações de seu governo. O empresário, então, comentou:
“Pra cima, presidente. Como você disse: eles vão sentir saudades de nós”.
Em poucos minutos, Bolsonaro respondeu:
“Nós? Um abraço.”
Marçal escreveu uma longa resposta na qual afirmou que colocou R$100 mil na campanha do ex-presidente, em 2020. Além disso, declara ter ajudado nas estratégias digitais, fazendo com que ele gravasse mais de 800 vídeos no Planalto. O ex-coach ainda cobrou:
“Só não nos curvaremos a comunistas na eleição de São Paulo e, se o capitão quiser me tirar do 'nós', me ajude, devolvendo os R$ 100 mil, depositando na minha campanha aqui, de prefeito de São Paulo, pois não estou usando dinheiro público e não vou ser investigado mais uma vez. Se, porventura, o senhor não quiser ajudar na campanha, considere o 'nós' como correto”, afirmou. \
Logo após o ocorrido, Bolsonaro se manifestou. Segundo o colunista Paulo Capelli, do site Metrolopes, em entrevista exclusiva, o ex-presidente fez duras críticas ao empresário:
“Falta caráter ao Marçal. Ele me esculhambava até perto da eleição de 2022. Dizia que a diferença entre Lula e eu se resumia a um dedo e me chamou de ‘quadrilheiro’. Poucas semanas depois, quando não pôde ser candidato à Presidência, mudou de lado na reta final da campanha. Isso é falta de caráter”.
Também teria admitido que os dois participaram de uma reunião recentemente e confirma que nunca apoiou a candidatura do influenciador:
“Recentemente eu recebi o Pablo Marçal. Tivemos uma conversa reservada e cordial, entreguei uma medalha [imorrível, imbrochável, incomível] a ele. Duas horas depois dessa reunião, ele espalhou que eu não apoiaria o Ricardo Nunes (MDB). Eu reafirmo que apoio o Nunes e não tenho nenhum compromisso com o Marçal”.
O embate já ocorria há alguns dias. Há uma semana, o ex-presidente concedeu entrevista a uma emissora de rádio do Rio Grande Norte, na qual falou que “Nunes não era seu candidato dos sonhos, mas que iria ajudá-lo”. Na ocasião, ele teria elogiado Marçal:
“Eu fechei com o Ricardo Nunes. Não é o meu candidato dos sonhos, mas eu tenho um compromisso. Vou ajudá-lo onde for possível. Lá tem a figura nova do Pablo Marçal, que fala muito bem. Uma pessoa inteligente. Tem suas virtudes. Não tem experiência, mas faz parte”, afirmou o ex-presidente em entrevista à rádio.
As divergências teriam escalado. O portal R7 divulgou ontem, 21 de agosto, uma notícia de que o deputado Eduardo Bolsonaro teria compartilhado uma mensagem com sua lista de contatos, em que afirma que seu partido não tem envolvimento com o PCC nem com tráfico de drogas.
“Muita gente reclama do PL, mas todo partido tem os seus problemas — e, graças a Deus, o do PL não é por envolvimento com droga ou o PCC”, teria dito Eduardo Bolsonaro.
Hoje, após o embate entre o pai e Marçal, Eduardo publicou em seu perfil no Instagram:
“Pablo Marçal, estranho. Em 2022, você disse que a diferença entre Lula e Bolsonaro é que um deles tinha 1 dedo a menos. Só acordou agora? Está parecendo o Mourão”.
Ontem, o deputado também gravou um vídeo em que comentava a candidatura do empresário. Logo abaixo, Marçal respondeu:
“O esforço está grande, não é, irmão. Faz o M28 e, se for chorar, mande áudio”.
Poucos minutos depois, o comentário foi apagado.
O levantamento apresentado pelo DataFolha de hoje, 21 de agosto, indica um crescimento de 7 pontos nas intenções de votos do influenciador nos últimos 15 dias. Marçal está atualmente empatado com os dois principais candidatos na liderança da disputa: Guilherme Boulos (PSOL) e Ricardo Nunes (MDB). Ele ultrapassou o terceiro candidato, José Luiz Datena (PSDB).
Seguem as intenções de votos na pesquisa estimulada, aquela em que são apresentados os nomes dos candidatos:
DataFolha - 22/08
Pablo Marçal também revela um crescimento na pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor menciona o nome de seu candidato preferido sem ver a lista de candidatos. O ex-coach passou de 1% no levantamento do fim de maio para 13% agora. O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, segue na liderança com 17% ( em maio, eram 13%, e Nunes oscilou de 9% para 7%.
O crescimento de Pablo Marçal significa um desafio aos seus adversários. O principal impactado, entretanto, é o atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Isso porque o empresário foca principalmente nos votos do eleitorado conservador e de centro-direita, em que a rejeição a Lula e candidatos do campo da esquerda é alta.
De acordo com o DataFolha, 44% dos eleitores que escolheram Bolsonaro na última eleição atualmente declaram que votariam em Marçal. Na pesquisa divulgada pelo mesmo instituto no dia 12 de agosto, eram 29%.
À medida que a eleição se aproxima, a necessidade de apoio se intensifica. Também tende a aumentar o tom combativo adotado pelos candidatos. No pleito de São Paulo, os discursos parecem focar menos em propostas e mais no enfraquecimento dos opositores.
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