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Moeda comum no Brics pode gerar mais prejuízos que benefícios, aponta jurista

A ideia foi retomada na reunião deste ano, mas o risco do aumento dos preços ao consumidor pode inviabilizar a medida.

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Redação Brasil Paralelo
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Fonte da imagem: Reprodução Youtube

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O presidente Lula propôs criar uma nova moeda para transações no Brics. A ideia foi mencionada durante a cúpula do grupo ontem, 23 de outubro.

O mandatário avaliou que a questão “não pode mais ser adiada”, deixando claro que não pretende criar uma moeda única

“É preciso trabalhar para que a ordem multipolar que almejamos se reflita no sistema financeiro internacional. Essa discussão precisa ser enfrentada com seriedade, cautela e solidez técnica, mas não pode ser mais adiada”.

O Brics foi criado em 2009 e reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O bloco tem como objetivo apoiar a expansão econômica desses países.

Como isso afetaria o brasileiro

De acordo com um artigo da jurista Daniele Quintans dos Santos, publicado no site Jus Brasil, uma moeda única para o BRICS pode trazer mais prejuízos que vantagens para o brasileiro.

Um dos principais riscos seria a possibilidade de perdas causadas por oscilações nas bolsas de valores e alterações nas taxas de câmbio.

Na prática, uma moeda única para o BRICS poderia afetar o poder de compra da população desses países. 

Muitas empresas realizam transações internacionais utilizando dólares. Caso a nova unidade monetária perca valor em comparação com a moeda americana, o custo de produtos e serviços tende a aumentar.

Além disso, a moeda de cada país do BRICS poderia desvalorizar, o que atrapalharia o crescimento econômico deles.

O artigo leva em conta ainda os custos de implementação da medida, que poderiam ser altos demais para as economias ainda em recuperação pós-pandemia.

Para a jurista, esses potenciais prejuízos superam quaisquer benefícios que a nova moeda poderia trazer, uma vez que não foram apresentadas evidências claras das vantagens desse plano.

Atualmente, o comércio entre os membros do Brics é realizado em dólar. O processo envolve converter a moeda local em dólar para fazer a transação. 

Isso significa que cada governo precisa ter uma reserva financeira em dólares para conseguir importar produtos e vender sua produção. 

A proposta visa reduzir a dependência do dólar, evitando assim que a oscilação da moeda americana influencie nas transações do grupo.

Não é a primeira vez que Lula fala do assunto. No ano passado, ele também citou a possibilidade durante a cúpula do bloco na África do Sul. 

Na época defendeu a medida como uma “paridade em trocas comerciais”. 

  • Paridade comercial significa a equivalência de valor de duas moedas em uma transação comercial. 

Por que o dólar?

A moeda americana é usada no comércio entre países por causa da força da economia dos Estados Unidos. O Federal Reserve (Banco Central americano) explicou a questão em 2021.

O relatório aponta a economia americana como estável e aberta para negócios internacionais. Além disso, as leis protegem bem o direito das pessoas de ter e usar suas propriedades.

Isso faz com que muitos investidores optem pelo país, já que a chance de perder o que aplicaram é menor. 

É como se os EUA fossem um cofre grande e confiável, onde todo mundo quer guardar suas economias. Por isso, o dólar acaba sendo usado em muitos negócios ao redor do mundo.

A ideia de Lula para uma nova moeda no BRICS gera debates sobre possíveis impactos econômicos. O mandatário alega que a medida traria equilíbrio nas transações de comércio exterior. 

No entanto, especialistas afirmam uma série de impactos econômicos. No momento, não há previsão de aprovação da proposta de Lula. 

[LEADS] Brasil Evangélico
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