Poema visual é uma espécie de poesia que tem como principal característica utilizar do apelo visual para prender atenção e despertar imaginação. A ideia é que o poema assuma a forma de algo que o leitor já conheça.
As palavras têm como principal função se entrelaçarem para criar desenhos. Dessa forma, o que é visto têm prioridade sobre o que é escrito e o leitor interpreta mais a disposição de espaço do que a formação de frases.
Quer entender como criar seu próprio poema visual? Neste artigo, apresentamos exemplos clássicos com suas principais características e técnicas para transformar suas palavras em imagens. Leia até o fim!
Na obra literária Do modernismo ao poema que uma pessoa faz/ processo e ao poema experimental os autores Moacy Cirne e Álvaro de Sá escrevem:
“[Um poema visual é um] produto literário que se utiliza de recursos (tipo) gráficos e/ou puramente visuais, de tendência caligramática, ideogramática, geométrica ou abstrata, cujo centramento gráfico-visual não exclui outras possibilidades literárias (verbais, sonoras etc.)
Isso significa que para um poema ser visual, basta que ele tenha palavras organizadas de forma que um desenho seja formado. Ele foi criado com o objetivo de romper com a estrutura discursiva da poesia.
Há quatro elementos principais. Para que um poema seja considerado visual ele precisa conter pelo menos um deles. São eles:
Embora a poesia visual possa parecer uma invenção recente, é importante lembrar que toda a escrita surgiu a partir de desenhos. No início, as palavras eram manuscritas e tinham uma forte relação com a imagem, mas, com o tempo, a escrita se afastou de sua componente gráfica.
Ao fugir da configuração padrão de escrita, o poema visual permite uma abordagem mais ampla e criativa de expressividade. Ela é importante por conseguir transpor os limites da poesia tradicional e gerar respostas únicas em quem lê.
Por combinar linguagem textual com visual ela engaja os leitores de forma mais profunda. A sua criação permitiu que se renovasse o espaço artístico para outras formas de expressão inovadoras, misturando diversas linguagens.Novas fronteiras para a criatividade
Combinar linguagens diferentes deu aos artistas a possibilidade de estender os limites de sua criatividade e criarem experiências mais ricas.
A ideia da arte é criar conexão com quem a admira. Ao trazer uma mensagem verbal fundida a outra estética, o poema visual causa um impacto de sentimentos muito maior do que se só tivesse uma das linguagens.
Como dito, as mensagens se tornam mais poderosas quando comunicadas em duas linguagens em uma mesma obra. Os artistas usam esse recurso para falar a respeito de temas complexos e tentam influenciar a opinião pública através da arte.
Plataformas online possuem o poder de unir dezenas de milhares de pessoas em torno de vários assuntos distintos. Elas abriram caminho para que o poema visual se tornasse extremamente popular.
Agora apresentaremos alguns poemas visuais que ficaram famosos e entraram para história como os maiores representantes do gênero.
O poema O Ovo é considerado o primeiro poema visual conhecido e foi criado por volta de 325 a.C. por Símias de Rodes, uma figura relevante da literatura grega.
Na tradução feita por José Paulo Paes, podemos perceber que o poema fala sobre o nascimento do próprio canto, utilizando versos que imitam o formato de um ovo. Dessa forma, há um diálogo entre a forma e o conteúdo, reforçando a ideia da origem e do surgimento.
Poucos exemplos antigos desse tipo de criação sobreviveram, e O Ovo é um dos raros registros que mostram essa fusão entre texto e imagem.
Chovem vozes de mulheres como se estivessem mortas mesmo na recordação
Chovem também encontros maravilhosos da minha vida ó gotículas
E estas nuvens empinadas começam a relinchar um universo de cidades mínimas
Escuta se chove enquanto a mágoa e o desdém choram uma música antiga
Escuta caírem os elos que te retém em cima e embaixo
(tradução de Sérgio Caparelli)
O poeta francês Guillaume Apollinaire (1880-1918) criou, em 1914, o famoso poema visual Chove (Il pleut, no original), no qual a disposição das palavras remete ao movimento das gotas d'água caindo.
Os versos, em vez de seguirem o formato tradicional horizontal, são organizados de maneira vertical e oblíqua, imitando a trajetória da chuva em direção ao chão. Essa escolha transforma a escrita em uma representação visual do próprio fenômeno que descreve.
O Carmina Figurata foi um dos primeiros exemplos de poema visual registrados, surgindo por volta do ano 350, durante o Baixo Império Romano, e permanecendo presente por um longo período da história.
Essas composições traziam uma cruz integrada ao texto, inicialmente como um elemento decorativo, mas que também estabelecia uma conexão entre as palavras e o sagrado. A disposição gráfica do poema reforçava sua temática religiosa, criando uma interação entre forma e significado.
Um dos maiores expoentes desse estilo foi Rabanus Maurus, que produziu diversas obras no formato Carmina Figurata. Essa forma de poesia era profundamente influenciada pela fé, refletindo tanto a devoção pessoal dos autores quanto os valores espirituais da época em que foram escritas.
Um dos principais expoentes da poesia visual contemporânea é o poeta e músico Arnaldo Antunes, autor de Rio.
No poema Rio: o ir, a disposição dos elementos segue um formato octogonal, criando a sensação de movimento contínuo, É como se o fluxo da vida estivesse representado na própria estrutura do texto.
No centro, a vogal "o" forma uma circunferência, enquanto o "I" maiúsculo se assemelha a uma linha vertical, acrescentando novas camadas de interpretação.
A experimentação gráfica do poema permite leituras variadas, como a palavra "oir", que em espanhol significa "ouvir", ou mesmo "rir", sugerindo um jogo lúdico com os sentidos.
Dependendo da forma como o leitor encara a composição, é possível inverter a leitura e encontrar um novo significado em "o ir", reforçando a ideia de deslocamento e transformação.
Lançado em 1963, o poema Aranha é uma das obras mais marcantes da poesia experimental portuguesa. Sua autora, Salette Tavares (1922-1994), foi uma artista inovadora que começou a explorar essa forma de criação na década de 1960.
No poema, a palavra "aranha" é desconstruída e reorganizada, dando origem à imagem do próprio animal, formada por oito traços simples. Além de seu formato visual, o poema também utiliza elementos sonoros que remetem à aranha, criando uma experiência sensorial única para o leitor.
A inspiração para a obra veio de um momento cotidiano: segundo Salette Tavares, a ideia surgiu de uma brincadeira com seus filhos, que se divertiam carregando uma aranha de brinquedo pelo carnaval. Esse instante lúdico foi transformado em um poema que mistura palavra, imagem e som de forma inovadora.
Um dos poemas mais icônicos do concretismo brasileiro é Lixo, Luxo, escrito por Augusto de Campos em 1966. Com uma estrutura mínima, mas um impacto visual poderoso, a obra se destaca por sua crítica à sociedade de consumo.
O poema brinca com as palavras "lixo" e "luxo", explorando o contraste entre elas. A composição gráfica faz com que "luxo" esteja contido dentro de "lixo", sugerindo múltiplas interpretações.
O poeta provoca o leitor a refletir: será que a busca incessante pelo luxo nos leva a produzir mais lixo? Aqueles que vivem apenas para o luxo acabam reduzidos a lixo? O consumo desenfreado transforma tudo ao nosso redor em descartável?
Com poucas palavras, Augusto de Campos constrói uma obra que vai além da linguagem tradicional, estimulando questionamentos profundos sobre os valores da sociedade. Seu impacto visual e conceitual faz do poema um dos mais marcantes da poesia concreta brasileira.
O poema concreto Caracol foi criado em 1960. Essa obra combina três elementos essenciais: a palavra escrita, a imagem e o som da recitação do poeta. A interação entre esses aspectos transforma o poema em uma experiência sensorial completa.
Na composição, o autor manipula a frase "Colocar a máscara", revelando dentro dela a palavra "caracol" de forma sutil e engenhosa. Ao mesmo tempo, a imagem do animal aparece girando continuamente, simulando o movimento espiral de sua concha e criando uma fusão entre texto, forma e dinamismo.
Mais de três décadas depois, em 1995, ganhou uma versão animada digitalmente pelo próprio autor. Assista abaixo:
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